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Adoção de padrões globais GS1 de identificação impulsiona cadeia coureiro-calçadista brasileira
Automação é a ferramenta adotada para otimizar a logística, o que reflete em redução de custos pela precisão, aceleração e integração nos processos de venda, produção, estoque, separação e despacho

Foram necessários apenas dois anos, a partir do teste-piloto do Sistema de Operações Logísticas Automatizadas (Sola), em 2013, para as empresas do setor coureiro-calçadistas do País começarem a sentir, na prática, os resultados da adoção da automação padronizada em toda a cadeia.

Um exemplo é a Via Marte, indústria de calçados femininos sediada em Nova Hartz (RS), uma das primeiras a investir no processo. A empresa apostou na otimização logística com efetiva redução de custos pela precisão, aceleração e integração nos processos de venda, produção, estoque, separação e despacho das mercadorias produzidas. A iniciativa, além de uma economia estimada em mais de R$ 500 mil, concedeu à empresa o Prêmio Direções Abicalçados na categoria Direções Industriais.

Integrar a indústria e o varejo no setor calçadista foi o objetivo da Abicalçados – Associação Brasileira das Indústrias de Calçados ao desenvolver a ferramenta web Sola em parceria com a GS1 Brasil – Associação Brasileira de Automação, Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Assintecal, Associação Comercial e Industrial de Novo Hamburgo, Campo Bom e Estância Velha (ACI NH-CB-EV), Associação Brasileira dos Lojistas de Artefatos e Calçados (Ablac) e Instituto Brasileiro de Tecnologia do Couro, Calçados e Artefatos (IBTeC).

A necessidade da cadeia de suprimentos era obter o maior nível de precisão e agilidade na troca de informações e no fluxo de mercadorias, desde o recebimento da matéria-prima até a entrega do produto ao varejista. “Além de otimizar a gestão da cadeia de suprimento ao identificar os produtos, unidades logísticas, localizações, ativos e serviços com exclusividade, o software Sola permite soluções estruturadas para mensagens eletrônicas e, consequentemente, rastreabilidade das operações e produtos, uma questão cada vez mais fundamental”, destaca o presidente da GS1 Brasil, João Carlos de Oliveira.

Baseado nos códigos de identificação padrão GS1, que no País estão sob responsabilidade da GS1 Brasil, o software Sola busca unificar a informação e a comunicação da cadeia coureiro-calçadista no que diz respeito à identificação, codificação e troca eletrônica de dados entre as empresas. Para se ter uma ideia, os códigos de barra GS1 – organização global com atuação em mais de 150 países e escritórios em 111 deles – são lidos mais de 5 bilhões de vezes por dia em todo o mundo justamente pela padronização global, responsável por tornar muito mais eficientes os processos logísticos das cadeias de abastecimento e suprimentos em todo o mundo. No País, a GS1 é representada pela GS1 Brasil.

Entre as metas do Sola, está o melhor aproveitamento do GTIN (sigla em inglês para Número Global de Item Comercial), que é conhecida série de números representada pelo tradicional código de barras. Dessa forma, ao adotar os sistemas de identificação GTIN GS1, os integrantes do setor – beneficiadores de couro, indústria, distribuidores e varejo – passaram a ter identificação única de seus itens para, assim, formar um cadastro geral. Para utilizar a ferramenta preparada para a cadeia coureiro-calçadista, a geração de etiquetas e a troca de mensagens eletrônica (EDI), também tiveram sua linguagem estruturada no padrão GS1 e toda a movimentação de unidades logísticas foi automatizada.

De acordo com Marcelo Oliveira Sá, assessor de Soluções GS1 Brasil, o setor calçadista é um dos que mais avançou no País em relação à automação na etapa produtiva, desde a extração da matéria-prima até a saída das cargas da indústria. “Agora, o momento é propício para estendermos os processos para a cadeia de produção, que vai beneficiar até o varejo”, afirma o consultor. Na estrutura da GS1 Brasil, a organização do setor calçadista é da responsabilidade do Grupo de Otimização Logística do Setor Calçadista-GOL, que trabalha no projeto há mais de 10 anos.

Sistema de Operações Logísticas Automatizadas (Sola) 

Pilares para a implantação:

  • Identificação: padronizar a identificação do produto (GTIN) e unidade logística (SSCC);
  • Processos: certificar os processos de separação, conferência, armazenamentoe movimentação do físico com a informação eletrônica (virtual);
  • Troca Eletrônica de Informação (EDI): eliminar a digitação. 

Benefícios para as indústrias:

  • Eficiência e precisão na expedição de produtos, armazenamento e movimentação;
  • Gestão de estoques;
  • Melhor gerenciamento das transações comerciais;
  • Redução de custos. 

Na prática, o sistema permite:

  • Cadastrar catálogos e listas de preço e trocar com seus parceiros comerciais (Pricat);
  • Receber Ordens de Compra (Orders);
  • Gerar etiquetas com códigos de barra para produtos (GTIN) e unidades logísticas (SSCC);
  • Gerar documentos de Aviso de Despacho (DESADV) e de Faturamento (Invoic).
  • As empresas que já possuem sistema para gerar arquivos no padrão Edifact (padrão internacional de EDI), podem trafegá-los de maneira segura através do servidor do Sola. 

Via Marte comemora os resultados e aposta na radiofrequência

A Via Marte apostou no Sistema de Operações Logísticas Automatizadas (Sola) para colocar em prática seu projeto de identificação padrão. “A garantia do batimento entre a informação digital (NF-e e DESADV) com o físico (mercadoria movimentada) faz com que cada elo possa movimentar (despachar, tombar, receber, armazenar, consumir) confiando no anterior”, ressalta o gerente de Tecnologia da Informação da Via Marte, Ivair Kautzmann.

Segundo ele, a iniciativa aplicada na indústria de calçados femininos de Nova Hartz (RS) envolve identificação padrão tanto para produto (por meio do GTIN) quanto para a unidade logística/volume (SSCC, sigla em inglês para Código de Série da Unidade Logística). Já a certificação do picking correto (separação de mercadorias) permite a conferência eletrônica do conteúdo de cada volume fechado na expedição, a separação correta dos volumes versus nota fiscal e o despacho e a coleta correta em cada fábrica pelo transportador. Além disso, o armazenamento ou redistribuição da carga por meio do SSCC e do GTIN pode ser feita enquanto a mercadoria está em trânsito, permitindo agilidade aos envolvidos sem a necessidade de reetiquetar volumes e mercadoria.

Segundo Kautzmann, o projeto permitiu erradicar o problema de caixas com conteúdo errado, índice que chegava a uma média de 2,8%, o equivalente a 56 caixas corrugadas encaixotadas diariamente de forma equivocada. O projeto foi bem recebido pelos funcionários, especialmente em relação à diminuição do retrabalho. “Para a implementação, montamos um laboratório-piloto e explicamos cada etapa do novo processo, software e hardware, aos colaboradores envolvidos. A partir desse entendimento, replicamos para todas as linhas de montagem e expedições da empresa”, recorda.

Em termos de hardware, a atualização dos equipamentos recebeu aporte de cerca de R$ 14 mil em cada uma das quatro plantas da empresa, totalizando investimento de R$ 56 mil. Já quanto aos custos de software e a readequação dos processos, o montante foi diluído na própria operação, uma vez que o sistema industrial da Via Marte e a sua gestão é gerida por uma equipe interna.

Agora, tem início uma nova etapa dentro do projeto, que está em evolução contínua. “Estamos pesquisando o acréscimo da tecnologia RFID (captura dos dados por meio da radiofrequência) nos rótulos de despacho”, explica Kautzmann. Com esta etapa, a Via Marte busca acelerar ainda mais a leitura que envolve a movimentação logística, substituindo o escaneamento das barras por leitores de radiofrequência. “Além da questão do RFID, trabalhamos na serialização dos pares – cada pé será identificado com uma chave –, o que permitirá mitigar a questão de problemas com o par do lado do varejo, além da reduzir os prejuízos com pirataria e furto de cargas”, afirma.

A indústria gaúcha prepara também a transferência do catálogo de produtos para a base de dados CNP da GS1, na qual os clientes poderão solicitar sincronização baixando todas as informações ligadas aos produtos fabricados pela Via Marte diretamente da nuvem. O CNP (Cadastro Nacional de Produtos) permite cadastrar informações sobre os produtos que uma empresa fabrica vende. O CNP é um banco de dados que auxilia a empresa na formação do cadastro do produto, considerando diversas informações, como: dados da empresa, do produto inclusive logística, impostos, fotos, urls entre outras. Além os clientes da indústria usuário do CNP podem usar para fazer download de informações de produtos que faz parte do mix de pedidos. 

Ferramentas utilizadas pela Via Marte:

  • Hardware – PCs com leitores de código de barras bluetooth (sem fio) para a verificação do picking (caixa individual versus caixa coletiva), coletores de dados portáteis, via WiFi, conversando com a retaguarda, na verificação da separação (caixas versus Documento Auxiliar de Nota Fiscal Eletrônica – Danfe) e despacho para o transportador (romaneio de embarque, etapa final, saída das fábricas).
  • Software – Aplicação logística desenvolvida internamente utilizando IIS e MSSQL Server. Todo o desenvolvimento seguiu regras dentro do padrão fomentado pela GS1 Brasil.
  • As especificações utilizadas no projeto implementado seguem padrões de mercado, são abertas e de domínio público.
  • A escolha do Sistema GS1 levou em conta os padrões globais de identificação, que possibilitam uma gestão eficiente da cadeia de suprimentos, além de promover a cooperação entre parceiros comerciais para aumentar a competitividade. A indústria passou a contar com um sistema de identificação global e padronizado na troca de arquivos com garantia de unicidade da informação, não importando com qual país ou empresa seja feita qualquer transação. 
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Resultados obtidos pela Via Marte:

  • Zerou o indicador de caixa com conteúdo errado. Historicamente, o indicador de erro nesta área era de uma média de 2.8%, o equivalente a 56 caixas corrugadas dia, em média, com encaixotamento errado.
  • O estoque de produto pronto passou a ser preciso e atualizado em tempo real. Não há mais contagem física (levantamento) ligado a isso. Assim, tempo e custo desse controle reduzido foi drasticamente, restando hoje verificação por blitz/amostragem.
  • Zerou a ocorrência de reentrega originada por despacho errado.
  • Reduziu custos de pessoal operacional envolvido com a solicitação e a emissão das notas fiscais.
  • Eliminou o processo e os custos de comunicação envolvendo a reserva/solicitação dos caminhões que realizavam a coleta nas plantas fabris.
  • Eliminou custos envolvendo o retrabalho na geração de conhecimento de embarque. Agora, a geração é 100% vinculada a embarques efetivos.
  • Alcançou rastreabilidade total, permitindo identificar, a partir de um par devolvido por defeito de fabricação, por exemplo, quais lotes de matéria-prima participaram daquela fabricação. Dessa forma, tornou-se possível determinar a extensão do problema, caso ele esteja vinculado à matéria-prima utilizada. 

Sobre a GS1 Brasil

A GS1 Brasil – Associação Brasileira de Automação é uma organização sem fins lucrativos que representa nacionalmente a GS1 Global. Em todo o mundo, a GS1 é responsável pelo padrão global de identificação de produtos e serviços (Código de Barras e EPC/RFID) e comunicação (EDI e GDSN) na cadeia de suprimentos, tem seu padrão adotado em 150 países e possui sedes em 111 deles. Além de estabelecer padrões de identificação de produtos, a associação oferece serviços e soluções para as áreas de varejo, saúde, transporte e logística. A organização brasileira tem 58 mil associados. Mais informações em www.gs1br.org

Sobre o Sola

O Sola nasceu a partir de um grupo de trabalho chamado GOL – Grupo de Otimização Logística do setor calçadista. No início de 2002, viu-se a possibilidade de ampliar a utilização das ferramentas de automação em toda a indústria para fomentar a competitividade do setor. Desde então, a premissa foi a utilização de um padrão internacional visando à substituição de modelos proprietários que representam maior custo para as empresas, dependência e baixo nível de integração com os outros elos da cadeia (suprimentos e varejo). 

Sobre a Via Marte

Desde 1977, a Via Marte cria calçados femininos. As quatro unidades da Via Marte produzem 7 milhões de pares por ano. Seus produtos são vendidos em mais de 16 mil lojas. Conta com 2,5 mil colaboradores diretos e 6 mil indiretos. Ultrapassando as fronteiras do Brasil, atende a países dos cinco continentes. 

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